Mostrando postagens com marcador luciana calixto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador luciana calixto. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de outubro de 2009

A relação dos pais com seus filhos adolescentes

Concedi uma entrevista a jornalista Luciana Calixto, que escreve uma coluna sobre comportamento para o jornal Boqueirão (disponivel uma versão eletronica àqueles que não tem acesso ao jornal impresso), o tema desta vez é os jovens e seus pais na "balada"

Abaixo segue a materia e você poderá lê-la na íntegra clicando no título desde post.


Espero que gostem.


Beijos e até breve...
Giovana

Famílias de baladeiros
Da Redação , por Luciana Calixto

Junto à modernidade, surge a necessidade de novos padrões de comportamento, inclusive no que se refere à relação entre pais e filhos: mais aberta e franca, com maior tolerância e menor castração, beirando o conceito de amizade. O jovem passa a ter a vantagem de maior segurança emocional e divide, inclusive com seus pais, alguns de seus prazeres, como a frequência em casas noturnas e “baladas”, locais onde, juntos, pais e filhos também podem trocar experiências e impressões, como forma de aprendizado e delimitações de conduta.
.
“Essa relação mais aberta entre pais e filhos facilita a comunicação e a compreensão do jovem a determinados assuntos ‘tabus’ que, há algum tempo, só tinham o conhecimento em situações fora de seu âmbito familiar”, explica a psicóloga Giovana Campanilli. “Esse novo meio gerador de comunicação proporciona maior segurança do jovem em se abrir e colocar seus desejos, suas inseguranças, aos seus pais, facilitando, portanto, seu desenvolvimento e o modo de se ver no mundo”, analisa.
.
Quase todo final de semana, a designer de interiores e artista plástica Leila Soares, 44 anos, leva o “filhão” e companheiro de balada Tom Figueiredo, 28 anos, para dançar em casas noturnas da Baixada. “Na maioria das vezes, eu que o animo a sair. Nos divertimos muito juntos: já chegamos até a dançar salsa em um evento latino”, lembra. “Ir para a balada, para mim, é como uma terapia. E, quando nós saímos, não ficamos ‘grudados’ no ambiente. Conhecemos outras pessoas e compartilhamos amizades. Tem amigas minhas, inclusive, que só querem sair se ele for junto”, conta.
.
Assim também é a relação das cantoras Simone Padron Alves, 44 anos, e Nataly Alves Arlindo, 21 anos. Mãe e filha saem, constantemente, para a “balada” e possuem uma relação de amizade e confiança. “Temos muitas afinidades e o mesmo gosto musical. Gostamos de sair juntas para dançar, escutar música ao vivo, até mesmo devido à nossa profissão”, explica Nataly. Ela conta que seus amigos não só aprovam sua atitude como possuem estreito relacionamento com sua mãe. “Minha mãe é minha melhor amiga e a pessoa em que mais confio no mundo. Temos liberdade para contarmos tudo a respeito do que nos acontece”.
.
Simone afirma que os papéis de mãe e amiga chegam a se confundir vez ou outra: embora não seja controladora, a mãe procura zelar pelo bem-estar e pela segurança de Nataly. “Encaro com muito mais naturalidade assuntos que outros pais, por exemplo, encarariam. Mas, é claro, que apesar de não controlar minha filha, sempre procuro fiscalizá-la à distância na balada”, brinca.
.
Limites de ‘papéis’
.
Baseada na conhecida frase “a liberdade de um termina quando começa a do outro”, a psicóloga Giovana Campanilli alerta para a importância da preservação da individualidade de ambas as partes. “Os jovens devem ter sua individualidade respeitada e a comunicação com seus pais deve acontecer de forma espontânea, sem cobranças e sem que se sinta encurralado”, diz. “Já os pais devem conhecer e reconhecer seus limites, respeitá-los e não esquecer de que, além de amigos, os pais não deixam de ser pais e que seu papel continua sendo o de educar, orientar e limitar as atitudes e posturas dos filhos”, frisa.
.
O sociólogo Cláudio dos Santos ressalta que, diante deste cenário social, muitos adolescentes fazem o papel inverso do que faziam seus pais quando "adolesciam": contestam as posturas libertárias ou anárquicas dos progenitores. “Vi, outro dia, um programa televisivo em que garotas e garotos criticavam os pais exatamente por este tipo de postura. Dizia uma adolescente: ‘detesto ver meu pai fumando maconha...’”, conta. “Existe ou parece existir uma relação muito interessante entre pais e filhos, já que a geração que hoje exerce a função de paternidade (sobretudo a de jovens adultos) foi formada em uma época de quebra de convenções, de busca da liberdade, de contestação aos valores tidos como tradicionais e, sendo tradicionais, obrigatoriamente eram "caretas", ultrapassados e até oligárquicos”, explica.
.
Os principais motivos apontados que levaram pais e filhos a frequentarem juntos casas noturnas e compartilharem momentos de prazer e descontração são mudanças sociais iniciadas já na década de 60, aprofundadas nas de 70 e 80 e perdendo força a partir da de 90, que estimularam as revoluções sexual (pílula, "test drive matrimonial", visibilidade dos movimentos GLS) e feminina (luta da mulher por maior isonomia entre os sexos e novos direitos no mercado de trabalho). Outro fator importante foi o advento da chamada "adolescência tardia" ou prolongada, que caracteriza a chamada "Geração Canguru".
.
Desta forma, antigamente, os pais faziam questão de que os filhos iniciassem a vida profissional assim que se tornassem adultos. Atualmente, devido à competitividade de mercado, muitas famílias de classe média e média alta preferem manter os filhos estudando por mais tempo.
.
Esses jovens que continuam morando na casa dos pais fazem dela o centro de convivência entre amigos e namorados, propiciando, naturalmente, intimidade maior estabelecida, em graus diferenciados, no relacionamento entre pais e filhos.
.
É uma geração muito díspare, em que grande parte pertence à "Geração F" (matéria abordada pelo Boqueirão na última semana de agosto), cujos contatos são, em sua grande maioria, meramente virtuais, enquanto outros comparecem às baladas, divididos por segmentos sócioeconômicos: as da periferia (bailes funk, por exemplo), as da classe média e as baladas dos "sem-balada" que se encontram nas esquinas, nos becos e "nos churrasquinhos de gato".
.
O sociólogo Cláudio dos Santos analisa que, em princípio, a convivência de pais e filhos em situações como essa (baladas) podem ser ou não saudável, ou terem conseqüências negativas e positivas: depende muito dos pais e, em certa medida, dos filhos. “Há pais que são péssima companhia para os filhos até em casa. Ou porque dão exemplo de devassidão e imoralidade (financeira, por exemplo), porque são castradores e onipotentes ou, simplesmente, ignoram os filhos”, defende. “Assim, um pai ou uma mãe que acompanhe seu filho ou sua filha em um baile funk ou em um show de rock ou de forró podem estar ali para proteger, castrar, compartilhar ou simplesmente para curtir uma noite sem ficar ‘preso’ em casa”, diz.
.
.

sábado, 22 de agosto de 2009

A adolescência e o mundo virtual

Divido com vocês uma matéria publicada no jornal Boqnews, de Santos, no dia 21/08/2009. Faço uma pequena participação, numa entrevista concedida à jornalista Luciana Calixto, sobre minha concepção sobre os Jovens e sua intensa ligação com a Internet. Espero que apreciem.

Acessando o link do jornal, vocês poderão visualizar a imagem disponível na matéria; além disso, o jornal é muito interessante, vale a pena conferir.

Abraços...
Giovana

Boqueirão News: www.boqnews.com

Sociedade virtual

Dentro da realidade cibernética, nasce um novo conceito de sociedade caracterizada pelo foco no "presente efêmero” e pela socialização democrática virtual
Da Redação por Luciana Calixto

Após o horário de saída da escola, a estudante Andressa Barbosa, 15 anos, larga seu MP7 e corre para casa: tem compromisso marcado com o computador. Enquanto checa as mensagens do Orkut e as últimas novidades de sua lista de amigos do site de relacionamentos, aproveita para “bater papo” no MSN e enviar torpedos às amigas para tomar conhecimento dos planos para o final de semana. Substitui a audiência dos programas televisivos pelo acesso ao Youtube para assistir aos capítulos da novela que perdeu no dia anterior e, simultaneamente, navega pelo Twitter e pelo seu blog para ver os comentários recentes deixados no espaço que criou para cultivar sua liberdade de expressão.

“Não passo menos que cinco horas diárias em frente ao micro. Não sei mais viver sem celular e, se a internet cai, fico desesperada”, diz. Se, antes, a sociedade era inserida em um contexto de dinamismo e execução de múltiplas atividades (Geração Y), fomentado pelo princípio dos avanços tecnológicos e surgimento da internet, a atual geração vivencia o sobressalto desses estímulos e busca o relacionamento interpessoal por meio de redes sociais on line: é a chamada Geração F (Facebook). E Andressa é apenas uma das milhares de pessoas que compõem o cenário de incentivo democrático à criatividade e liberdade de expressão por meio de blogs, fóruns de discussão na web, além de sites de relacionamento pela internet, tais como Facebook – que soma mais de 1,3 milhão de usuários no Brasil – e Orkut, com 24 milhões. Já o Twitter, microblog com popularidade crescente na internet, registrou um aumento de 700% no tráfego em um ano.

De acordo com a Anatel, o índice de assinantes de celulares aumentou, nos primeiros meses deste ano, em relação a 2008, mais de 0,6%, e beira 160 milhões de assinaturas. No País, a comunicação de dados, com inclusão do envio de torpedos, chega a 10% do faturamento das operadoras de aparelhos móveis. Segundo a Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) e o Sindicato das Empresas de TV por Assinatura (SETA), usuários de internet em alta velocidade somaram 2,8 milhões, o que representa um aumento de 43% em relação ao primeiro trimestre de 2008.

O futuro é o “agora”
“A geração atual é composta por jovens cujos relógios sociais funcionam em segundos, velocidade que faz com que relações, propostas, planos e realizações tenham a eternidade do efêmero. Para eles, o futuro próximo parece que já passou”, afirma o sociólogo e professor universitário Claudio dos Santos.

O sociólogo explica que, para essa geração, é mais importante “ser rápido no gatilho” do que preocupar-se com a solidez da edificação dos relacionamentos interpessoais. ”O que é mais rápido do que o computador, a internet, o Twitter e o MSN? Texto em papel e livros, para eles, não deveriam mais fazer parte da vida moderna. Esse tipo de material deveria existir apenas nos museus, como as carruagens e as polainas”, complementa.

A socióloga Terezinha Ayud Pelizari compartilha da mesma opinião e explica que a fase social pós-moderna vivenciada e cultivada pela chamada Geração F é caracterizada, principalmente, pela tecnologia e globalização, as quais permitem que o usuário da web conecte-se com o mundo, por mais que, na maioria das vezes, não estabeleça contatos profundos com as pessoas mais próximas. “Hoje, a socialização é muito mais virtual do que visual, sob a proteção do teto e das paredes dos condomínios. Tudo é fugaz e focado no presente, sem projeções a longo prazo. Isso pode acarretar no desenvolvimento de uma série de medos e fobias sociais, além de um profundo processo de desencaixe social, manutenção de relações supérfluas e ausência de solidariedade”.

A mudança do conceito familiar – no qual torna-se quase que obrigatória a saída da mulher do lar para o mercado de trabalho – também é outro aspecto elencado como causa do surgimento da Geração F. “O ser humano é mais individualista, hoje. O consumo, a busca desenfreada por uma posição financeira e profissional no mercado de trabalho e a adequação em novos grupos sociais pela web passam a ‘vender’ a segurança e a auto-estima que a família, atualmente desintegrada, deveria oferecer ao indivíduo”, ressalta a socióloga. “A busca por uma crença ou uma vida espiritual que não trabalhe conceitos capitalistas é uma forma de tornar a dinâmica da atual geração mais saudável”.

Mercado de Trabalho
Empresas e atividades profissionais também conquistaram novo posicionamento social frente à Geração F, pois o profissional mais jovem tende a ter mais proximidade em seu dia a dia com as inovações da internet e das redes sociais. De acordo com o setor de Recursos Humanos da empresa de recolocação de mercado de trabalho Currilum, jovens com perfil dinâmico e polivalente estão criando uma vantagem competitiva para trabalhar em certos segmentos, em relação às pessoas um pouco mais afastadas destas inovações. Para atender às empresas, frente a um mercado altamente competitivo, é exigido profissional competente, sobretudo criativo e líder, além de flexível e "antenado" às novidades do mundo e da web, em concordância ao mundo globalizado.

Exposição abusiva traz riscos
A estudante Andressa Barbosa nem sabe dizer, ao certo, quantas amigas e conhecidas divulgam no Orkut fotos sensuais em trajes de banho e até mesmo íntimos. “A intenção delas é chamar a atenção dos garotos. Eu acho ridículo”, desabafa. Ela conta que uma antiga colega de classe chegou a pedir transferência de escola devido à pressão que sofreu dos alunos após a publicação indevida de determinadas fotos. “Minha colega enviou a um garoto da escola, pela internet, algumas fotos trajando sutiã e calcinha. Ele criou um perfil falso no Orkut com o nome dela, postou todas as suas imagens e enviou a página para todos do colégio. Seus pais ficaram chocados com a repercussão e a pressão dos nossos colegas foi tão grande que ela pediu para sair da escola”.

Para a mãe da estudante Andressa, a psicóloga Marise Barbosa, é obrigação dos pais supervisionar a conduta dos filhos, principalmente dos adolescentes, na internet. “A web é um mundo aberto, sem fronteiras, e por isso é necessário que quem a utilize tenha consciência disso. Os jovens só podem ter conhecimento dos perigos cibernéticos se houver orientação dos pais”, afirma. “Eu tenho com a Andressa um diálogo muito aberto. Ela sempre me mostra os amigos que adiciona no Orkut e as fotos que coloca. Não invado a privacidade dela, mas, sim, participo de sua vida”.

A procuradora da República no Estado de São Paulo, Melissa Garcia, reafirma a atitude de Marise e ressalta que os pais devem lidar com a internet como lidam com qualquer outro espaço público. “Da mesma forma que alertam seus filhos para não conversar com estranhos, devem instruí-los de que na rede navegam pessoas boas e ruins e que, por isso, devem ter cuidado”.

Segundo o Ministério Público Federal em São Paulo , só em relação ao Orkut, foram denunciadas 1.926 páginas por agregarem notícias ou conteúdo de pornografia infantil. As investigações tiveram início em junho de 2008. Além disso, foi rompido o sigilo de 1.287 páginas do mesmo site de relacionamentos por denúncias de pedofilia.

“É importante que os usuários postem na rede somente aquilo que gostariam que fosse visto por milhares de pessoas, excluindo dados que permitam localizá-las ou trazer riscos de exposição”, complementa a procuradora.

A psicóloga clínica Giovana Campanilli Basile justifica a exposição excessiva entre os jovens na internet como um fator de busca por grupos de identificação e, especialmente na adolescência, ânsia pela exploração da sensualidade. “A rede de contatos que a web oferece facilita o encontro com outros adolescentes, criando, a partir daí, grupos que se identificam. A busca é a mesma, como em outras gerações, só houve mudança nas ferramentas deste processo”, afirma. A profissional alerta que o acesso abusivo à internet deve preocupar quando o indivíduo deixa de lado obrigações e, até mesmo, a alimentação e higiene pessoal para permanecer em frente à tela do computador. “As relações virtuais estão tornando-se, cada vez mais, reais e não há como reprimir isso. É importante saber que a web também favorece na compreensão da dinâmica e na formação de identidade, mas sempre com devida interação dos pais e alerta sobre possíveis perigos e malefícios pessoais que possam ser gerados”.